quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Dilema 2

O dilema do aborto: o ponto de vista ético da Psicologia

Uma moça chamada Maria José namorava há um certo tempo com um rapaz chamado Joaquim e já planejava para um período próximo o casamento. No entanto, por serem de origem pobre, esperavam por melhores condições financeiras. Mas um dia algo inesperado aconteceu, Maria José engravidou. Ao saber da noticia, Joaquim rejeitou a gravidez da namorada e fugiu. Maria José, então, viu-se sozinha, sem dinheiro, sem apoio da sua família, e pensa em fazer um aborto. Ela vai em busca do psicólogo do PSF perto de sua casa com a intenção de que este profissional ajude-a a tomar a melhor decisão.

Você como psicólogo, como agiria nesta situação?
Como você veria a situação do aborto de um ponto ético?
Pensando de acordo com Vazquez (1997) de que existe um progresso histórico-social que cria as condições necessárias para o progresso da moral, você acredita que esta evolução levaria a nossa sociedade a ver o aborto como moralmente correto?

Resposta 1.

Como Psicólogos, procuraríamos possibilitar reflexões embasadas em conseqüências dos prós e contras de uma decisão desta envergadura. Procuraríamos também ampliar o nicho de alternativas possíveis para que ela tome sua decisão da forma mais racional. Buscaríamos formas de trabalhar as tensões familiares com um enfoque na importância de se manter os laços como um elemento central em suas vidas e em respeitar as decisões tomadas.

Resposta 2.

Do ponto de vista ético, o aborto se constitui como um dos assuntos mais delicados, já que as condutas variam de acordo com os códigos e as culturas. Mas, observando-se o contexto brasileiro, a lei contra o aborto existe e a sociedade se posiciona totalmente contrária a qualquer mudança é de fundamental importância uma avaliação do que é moralmente correto e daquilo que é aceitável socialmente, neste caso o aborto torna-se inviável.

Resposta 3.

A sociedade vem experimentando várias transformações ao longo da história. Conceitos, práticas, comportamentos foram mudando. Percebe-se também uma tentativa de resgatar modelos anteriormente esquecidos ou obsoletos. Nesta busca por uma adequação social é de fundamental importância encontrar alternativas para decidir da melhor forma possível os desdobramentos que uma decisão desta envergadura pode ter. Segundo Vazquez “uma sociedade é tanto mais rica moralmente quanto mais possibilidades oferece a seus membros de assumirem a responsabilidade pessoal ou coletiva de seus atos; isto é, quanto mais ampla for a margem proporcionada para aceitar consciente e livremente as normas que regulam as suas relações com os demais”. (pág. 45 e 46).

Um comentário:

João Lins disse...

Este tipo de respostas ao dilema me faz pensar em como psicólogos, inconscientemente, insistem em pensar dicotomicamente "Individual X Cultural". Em outros termos, pq devemos orientar o cliente num nível individual, como na resposta 1, ou coletivo, como nas respostas 2 e 3? Penso que esta segregação conceitual leva-nos a ser formadores, domesticadores de pensamentos e condutas que limitam a ação do ser-no-mundo. E para que eu não pareça ser um crítico qualquer, admito a necessidade de delimitação (não limitação!) do comportamento. O tal dilema, sugiro a reflexão, deveria ser resolvido com uma orientação progressiva do nível individual (auto-conhecimento) ao cultural (coletivo, considerando a legislação que por ora vigora) e voltar ao individual (como aquele que legitima a legislação e que tem poder de deslegitimar).
Se quiserem entrar em contato, pode ser via email:
jbarros21ba@yahoo.com.br

Valeu...